Final Fantasy: The 4 Heroes of Light

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Era uma vez...
...uma época na qual videogames eram mais simples e inocentes. Uma era na qual os gráficos eram apenas representações simbólicas, sem a pretensão de serem fotorealistas, e as histórias não tinham tanto drama e conflitos pessoais, resumindo-se ao clássico "derrote o Lorde das Trevas para restaurar a paz". Foi uma época saudosa para muitos jogadores, e é exatamente esse sentimento de nostalgia que o Final Fantasy: The 4 Heroes of Light tenta recapturar ao oferecer uma jogo que homenageia os dias 8 e 16-bit não só da série Final Fantasy, mas de todo o gênero de RPG, com elementos remanescentes de Dragon Quest e até mesmo de SaGa.


Brandt, Jusqua, Yunita e Aire são os titulares "Heróis da Luz", e que um dia se envolvem em uma tragédia inesperada quando todos os moradores do seu reino natal de Horne são transformados em pedra. Esse é o início de uma aventura que engloba todos os elementos típicos de uma história de fantasia medieval: bruxas vingativas, cristais falantes, torres assombradas, reinos exóticos e castelos no céu, e enquanto a história tem algumas reviravoltas interessantes, o foco não é no destino mas sim na viagem, nas aventuras individuais e no descobrimento de novos locais entre um acontecimento e outro. Os personagens também têm um papel reduzido no que diz respeito à caracterização, e apesar de cada um deles ser perfeitamente definido e com diálogos interessantes - as discussões constantes entre Brandt e Jusqua mostram que eles são bons amigos, e você pode notar a resignação da madura Yunita ao ser repreendida pela mimada princesa Aire - todo o tom da narrativa é simples, como em um conto de fadas, e essa característica se reflete também nos gráficos.


Os gráficos do jogo têm um ar estilizado cell-shaded, legado dos The Legend of Zelda para Nintendo DS, mas com uma paleta menos saturada, com cores quentes e suaves. Tecnicamente não é muito impressionante, com alguns modelos de inimigos pouco detalhados, mas o destaque é o seu estilo de arte, que retrata um mundo e personagens com um charme de um livro infantil de contos. Os modelos dos protagonistas são simples mas expressivos nos seus trejeitos, e as armas, armaduras e classes são representadas graficamente e bastante variadas.


Batalhas do passado

O clássico sistema de classes de Final Fantasy retorna em 4 Heroes of Light com o nome de Crown System, no qual os personagens trocam de ocupação usando diversos tipos de coroas, chapéus, elmos e máscaras. Existem 28 transformações diferentes que variam desde os clássicos Black Mage e Thief até novas como Party Host, Seamstress e Storyteller, e cada classe tem sua habilidade inicial e mais três outras que são abertas depois de aumentar o nível do respectivo adorno com pedras preciosas que você ganha durante as batalhas. Você pode alocar até seis habilidades e magias para cada classe, e esse gerenciamento é parte importante do jogo: magias são itens equipáveis, usáveis por todas as classes mas que tem alto custo, e por isso é necessário balancear o que equipar em cada classe, sempre prestando atenção em quais delas tem mais afinidade com magia ou ataques físicos.

Fãs de Final Fantasy perceberão que o sistema de batalha de 4 Heroes of Light não é similar aos sistemas de jogos anteriores da série, com exceção talvez do spin-off Final Fantasy: Mystic Quest, mas mesmo esse jogo foi parcialmente baseado na série SaGa de Game Boy. Na verdade, o esquema de batalha lembra bastante o recente Dragon Quest IX: ao invés de batalhas em tempo semi-real dos jogos clássicos, que usavam o Active Time Battle, temos batalhas por turnos, e ao invés de um ponto de vista com inimigos na esquerda e personagens na direita, temos uma perspectiva que coloca a câmera atrás dos heróis. As batalhas giram em torno do gerenciamento de AP (Action Points), que são um recurso multifuncional que servem para tudo, atacar, usar itens, habilidades, magias, e que são limitadas em até cinco por personagem e com custos variados para cada classe. Mas talvez o aspecto mais único da batalha é que você não tem controle sobre o objeto das suas ações: ao atacar ou usar uma magia de cura, o personagem escolhe automaticamente o alvo, levando em consideração afinidades elementais, distância ou HP. Essa simplificação é desorientante no começo, mas funciona bem na maioria do tempo e possibilita lutas mais rápidas, o que é uma boa coisa considerando que as batalhas são randômicas e bem frequentes.

Reencontrando a Fantasia

Hoje, Final Fantasy é uma das séries de RPG's mais famosas do mundo, mas alguns dizem que no caminho para esse estrelato a franquia perdeu um pouco da magia de antigamente. Mas 4 Heroes of Light resgata admiravelmente esse encanto, e oferece um jogo adorável, repleto de nostalgia e que é fruto de um trabalho de dedicação por parte dos desenvolvedores. É um ótimo jogo mesmo para os que não conhecem a série, mas é sem dúvida mais recomendado aos fãs de longa data, que finalmente terão a oportunidade de reencontrar a "Fantasia" perdida de Final Fantasy.

Plataforma: Nintendo DS
Produção: Square Enix
Desenvolvimento: Square Enix
Gênero: RPG
Número de jogadores: 1

Gráficos:
9,0
Som: 8,5
Jogabilidade: 8,0
Diversão: 9,0
Replay: 5,0
Nota: 8,0

Feito Por: Edson Kimura
Fonte: Nintendo World

Leonardo Soler

Retrogamer nas horas vagas. Mantém o Game Genius desde 2010 onde a internet ainda não tinha nem luz eletrica. Fã dos Power Rangers (até o PR no espaço). E é complicado o que é melhor, Final Fantasy VI ou Chrono Trigger. Google