Retrô : Double Dragon's Saga

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Saudações a todos!
Há 15 anos atrás tive a chance de conhecer, pela primeira vez, um dos grandes jogos feitos para o antigo NES: Double Dragon III. Por isso, resolvi relembrar essa que é uma das mais famosas e bem sucedidas séries de jogos de luta dessa geração. O foco aqui está três jogos lançados pela softhouse japonesa Technos para o sistema Nintendo 8-bit, entre os anos de 1988 e 1991. E também fiz um rápido esboço sobre a pouco conhecida quarta versão extra- oficial lançada pela Software Creations. Muito do que escrevi são apenas minhas impressões. Por isso, informações adicionais, curiosidades, sugestões e críticas são muito bem- vindas. Boa leitura.




Nome: DOUBLE DRAGON
Ano de lançamento: 1988
Sistema: NES (Nintendo Entertainment System) e compatíveis.
Plataforma: 8-bit
Tamanho: 2 megas.
Fabricante: Technos Japan Corporation.
Número de fases: 4 (cidade, construção, floresta/ caverna e castelo)

Na década de 80, Double Dragon era um popular jogo de fliperama
que ganhou versões para os sistemas caseiros NES (Nintendo) e Master System (Sega), além de versões para computadores Apple. Inclusive ganhou, em 1989, uma inesperada versão para o já falido Atari2600! A minha impressão foi que Double Dragon, pelo menos aqui no Brasil, se tornou mais conhecido no sistema Master System (esse jogo foi lançado em 1988).
Pois além do ótimo marketing da Tec Toy em cima dos jogos do Master System, a versão para esse video- game, a meu ver, tinha um melhor acabamento gráfico em relação à versão lançada para o nintendinho.



Em Double Dragon, Billy tem a sua namorada raptada por uma gangue, e ele
e seu irmão vão correr atrás do prejuízo na base da porrada, percorrendo
as ruas da cidade, interior de prédios em construção, florestas e
fábricas. Tanto a versão para NES quanto para Master System foram
baseadas no arcade.

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Momento Retrospace.
Este foi o segundo jogo da série que conheci, depois de DDragon III.
Isso foi por volta de 1991-2. Na época tinham acabado de lançar o super aguardado jogo das Tartarugas Ninja II - The Arcade Game (também para NES). Eu, meu irmão e um amigo nosso do colegial fomos tentar alugar o cobiçado jogo das tartarugas, mas já tinham chegado primeiro. Naquele dia então alugamos dois jogos: Double Dragon e Dick Tracy. Eu bem que tentei, mas um fim de semana não foi suficiente para poder chegar ao fim do jogo. Só tive a chance de terminá- lo anos mais tarde.
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Double Dragon, apesar de ter se saído muito bem no console da Sega,
acabou ganhando ótimas continuações apenas no sistema NES, o que
pode ter ressentido os fãs da série proprietários do Master System. Mais
tarde, já na década de 90, a Technos voltou a lançar novas versões de Double Dragon para o sistema Genesis - Mega Drive e, se não me engano, para o Neo Geo. Esses jogos eram muito similares às versões arcade de Double Dragon, pelo menos no quesito gráfico. Desconheço alguma versão lançada para SuperNES ou demais consoles.

Na minha opinião, dentro do sistema NES, a série Double Dragon competia em popularidade com as séries Megaman, Super Mario Bros., Castlevania e Ninja Gaiden. Apesar disso, desses jogos citados, apenas Double Dragon e Super Mario Bros. renderam longa- metragens para o cinema, já na década de 90. Isso significa que com certeza Double Dragon possuía um enorme público admirador da saga dos irmãos Lee.

Gráficos.
Os gráficos de Double Dragon eram bons para a sua época (1988). Mas a versão lançada para o sistema 8-bit da Sega era sensivelmente melhor nesse quesito, do meu ponto de vista.

Som.
Os efeitos sonoros eram típicos dos joguinhos de luta da Technos. Com
relação à trilha sonora, o tema de abertura é um clássico dos jogos NES,
e a música da primeira fase também era muito boa.

Sistema de golpes.
Em Double Dragon, os personagens aprendiam novos golpes à medida em que ganhavam experiência (corações, num total de sete) de luta. Os golpes eram variados, desde socos e chutes simples a cotoveladas, voadoras e cabeçadas. Esse sistema de ganho de experiência não existia na versão arcade e tampouco na versão para Master System.

O misterioso truque das trinta voadoras.
Naquela época, o que eu sabia era que, pelo menos na versão para Master System, existia um truque para ganhar vida infinita, ou algo parecido com isso. Bastava chegar na última fase e, antes de enfrentar o último chefe, dar trinta voadoras para ganhar esse tipo de bônus. Na versão para NES, eu lembro de ter tentado isso, mas sem sucesso. Por isso suspeito de que esse tipo de truque esteja habilitado apenas na versão para o console da Sega.

Prós de Double Dragon
Boa trilha sonora
Boa concepção das fases
Modo mano- a- mano, divertido quando jogado entre dois jogadores.

Contras de Double Dragon
Comparativamente, era graficamente inferior à versão para Master System.

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Nome: DOUBLE DRAGON II - The Revenge
Ano de lançamento: 1989
Sistema: NES e compatíveis.
Plataforma: 8-bit
Tamanho: 2 megas de dados.
Número de fases: 8

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Momento Retrospace.
Este foi o terceiro jogo da série que tive a oportunidade de conhecer, de
forma superficial. A primeira vez que vi Double Dragon II foi em algumas
fotos, postadas numa matéria especial da primeira revista Videogame, de 1990. Me surpreendia em ver, finalmente, jogos com gráficos muito melhores que os do video- game Atari2600, o mais popular da década de 80. Comprei essa revista meses antes de ganhar, sem querer, meu Phantom System (compatível com os jogos NES). Naqueles tempos eu queria muito era ganhar um Master System. Mas Double Dragon II nunca aparecia na locadora do nosso bairro. Alguns anos mais tarde, consegui alugar a fita numa outra locadora aqui perto (funciona até hoje, aliás). Isso foi em 1995. Mas confesso que não me empolguei muito com esse jogo, na época, em parte porque aquela versão era japonesa (60 pinos), e fiquei um pouco frustrado por não ter conseguido acompanhar o roteiro.
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Double Dragon II ganhou incrementos na parte gráfica, desenho das fases,
dificuldade e ação. O jogo também ganhou uma estória com um enredo um pouco mais elaborado.

O sistema de som sofreu uma ligeira mudança de estilo, com isso as músicas perderam aquele som estridente do jogo anterior. Ainda assim a trilha sonora de Double Dragon II superou seu antecessor em qualidade.

Uma pena que eu não tenha podido conhecer Double Dragon II na época certa, quando o NES estava no seu auge aqui no Brasil (1990-92). Provavelmente esse foi um dos mais queridos e cobiçados jogos de seu tempo, com certeza muitos jogadores de NES de minha geração devem ter ótimas lembranças sobre esse excelente jogo de luta.

Prós de Double Dragon II
Excelentes gráficos
Ótimo nível de desafio
Um dos melhores jogos lançados para NES.

Contras de Double Dragon II
No momento não vejo pontos negativos para esse jogo.

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Nome: DOUBLE DRAGON III - The Sacred/ Rosetta Stones
Ano de lançamento: 1991
Sistema: NES e compatíveis.
Plataforma: 8-bit
Tamanho: 2 megas de dados.
Número de fases: 5 (EUA, China, Japão, Itália e Egito)

Double Dragon chegou em seu terceiro episódio com algumas boas novidades. A melhor delas era a possibilidade de jogar com dois novos
guerreiros: o lutador de kung- fu Chin, e o ninja Hanzou. Cada um deles possuía habilidades de luta bem distintas. Também chamava a atenção que, nesse game, a estória tomava um rumo diferente dos outros episódios da série. Aqui, Billy e Jimmy Lee tinham a missão de resgatar as três Pedras de Rosetta (versão japonesa), ou Pedras Sagradas (versão euro-americana), que estavam em posse de inimigos ao redor do mundo. Para encontrá- las, eles contavam com a ajuda de uma velha japinha chamada Hiruko. As missões colocavam os personagens em lugares exóticos como China, Japão e Itália. Dependendo da versão, o roteiro parcialmente mudava. Em Double Dragon III o jogador tinha apenas uma vida para cada personagem. Isso acrescentou dificuldade e maior nível de desafio ao jogo.

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Momento Retrospace.
Ironicamente, este foi o primeiro jogo da série que tivemos a oportunidade de jogar no nosso novo Phantom System, por volta de 1991-2. Foi um jogo que nos ofereceu horas de diversão no modo dois jogadores, os gráficos e som eram magníficos, e os golpes eram fáceis de serem executados. A versão do jogo era japonesa 'pirata' (60 pinos), provavelmente mais difícil que a versão americana (72 pinos). Em um fim de semana consegui chegar no máximo até a terceira fase (Japan). Um ano mais tarde, descobri numa feira de jogos e consoles - ficava dentro de um shopping center - a combinação de botões que fazia com que o jogador pulasse as fases, indo direto para o final.
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Gráficos.
Double DragonIII ainda baseava o estilo dos cenários como nos episódios anteriores, mas de forma menos elaborada do que em DDragon II, no que se refere aos detalhes de fundo (menos objetos de cenário, por exemplo) e concepção das fases. Mesmo com menos detalhes e um estilo um pouco diferenciado, os gráficos de Double Dragon III mantiveram sua qualidade.

Jogabilidade.
Essa foi uma das gratas surpresas do jogo, que a Technos fez
questão de apresentar em DDragonIII. Embora Billy e Jimmy tenham
perdido alguns golpes aprendidos nos episódios anteriores da série,
eles ganharam alguns inéditos aqui, como aquele famoso pulo com cambalhota, segurando o adversário pelos ombros ou cabelo e jogando- o para longe (AB + AB). O pulo continuou sendo executado apertando- se junto os botões A e B. A para soco e B para chute. Todos esses comandos eram fáceis de serem executados, sem o jogador precisar calejar o dedo para dar determinados golpes. Além disso, a inclusão de Chin e Hanzou aumentou significativamente a variedade de golpes executados pelo jogador, tornando o jogo bastante atraente.
Outro recurso inédito na série foi a inclusão de 'armas brancas', que tinham uso limitado mas aumentavam o poder de fogo de seus lutadores. Por exemplo, para Jimmy e Billy Lee, eles tinham à disposição aquele famoso 'nunchaku'. Chin usava uma garra de ferro que tornava seus golpes com a mão bastante poderosos; e Hanzou tinha seus 15 shurikens (estrelas de metal usados pelos ninjas), ideal para ataques à distância.

Som.
Eu gostava muito do estilo sonoro de DDragon III. A música de abertura ficou sensacional, baseada na abertura de DDragonI. E também as músicas de fase, especialmente as BMGs de China e Japan, ficaram excelentes. Enfim, Double Dragon III possuía os melhores efeitos sonoros de toda a série.

Prós de Double Dragon III
Ótimos gráficos
Excelente trilha sonora
Inclusão de novos personagens jogáveis


Contras de Double Dragon III
Foi o primeiro jogo a não mostrar marcador de pontos

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Nome: Double Dragon IV
Ano de lançamento: 1991
Sistema: NES e compatíveis.
Plataforma: 8-bit
Tamanho: 2 megas de dados.
Fabricante: Software Creations (EUA)
Número de fases: 2, com três estágios cada.

Eu, como muitos jogadores de minha geração, conheceu esse inesperado jogo através da emulação. Que raio de quarta versão de Double Dragon é essa!? A resposta que tenho é que, segundo me consta, não se trata de uma versão oficial da Technos, e sim de uma versão extra criada pela Software Creations, lançada em 1991. Ao que tudo indica, esse jogo me parece mais uma homenagem à famosa série Double Dragon do que propriamente um reles jogo pirata, pois está um pouco longe ( mas não muito...) da mediocridade de um Street Fighter II, Choplifter ou Altered Beast - jogos que faziam sucesso nos fliperamas e outros consoles, e que ganharam versões toscas para o NES 8-bit. Quem assina a trilha sonora é, segundo dados do game, Tim Follin, o mesmo cara que trabalhou na ótima trilha de Silver Surfer. Mas não se empolgue, caro fã da série. No fim das contas, este não é um jogo Made In Technos. Portanto se você pretende conhecer Double Dragon IV, não espere muita coisa...

O jogo é composto de duas fases: Garage Park e Downtown. Cada uma possui três estágios cada, com algumas dezenas de inimigos. No final do primeiro e segundo estágios de cada uma das fases, há um subchefe para enfrentar. No último estágio da primeira fase há um chefe diferente e, no último estágio da segunda fase, Billy enfrenta um anãozinho chamado Mr. Big, dentro da boate Pig Pen. É o último boss do jogo.

O jogo não é muito difícil. O mais importante aqui é aprender as manhas para dar os golpes nos inimigos, e saber pegar os pequenos corações no chão, que fornecem energia. Para tanto, basta saber se posicionar corretamente, e apertar o direcional para baixo junto com o botão de soco.

Prós de Double Dragon IV
Tim Follin assina a trilha sonora (mas não espere muito...)

Contras de Double Dragon IV
O jogo não possui a qualidade dos outros jogos da série.
>>>><<<<

Leonardo Soler

Retrogamer nas horas vagas. Mantém o Game Genius desde 2010 onde a internet ainda não tinha nem luz eletrica. Fã dos Power Rangers (até o PR no espaço). E é complicado o que é melhor, Final Fantasy VI ou Chrono Trigger. Google