Camundongo cinquentão resgata jogadores maduros no Wii

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O universo da Disney é imenso. São muitos os personagens de sucesso, mas também existem outros tantos que nunca obtiveram grande reconhecimento. Outros chegam até a ser criados, mas são impiedosamente abandonados. Para ajudar esses pobres esquecidos, o mago Yen Sid criou um mundo totalmente novo dentro de um quadro de parede. Trata-se de Wasteland, que é acessado através de um espelho mágico.


Com esse enredo maluco em mente, a Disney traçou os rumos de Epic Mickey, jogo que leva o rato cinquentão para o mundo dos adultos. A história começa quando Mickey derruba acidentalmente tinta e diluente na pintura. A mancha provocada pelo rato dá vida ao vilão Phantom Blot, lá dentro do quadro criado por Yen Sid. Para quem não conhece, no Brasil ele é conhecido como Mancha Negra.

O vilão passa então a controlar o reino de Wasteland, destronando o coelho Oswald The Lucky Rabbit, personagem criado em 1927, que nunca foi famoso como seu meio-irmão Mickey. Com o vilão no poder, o mundo mágico se torna sombrio e infeliz.

Então, Mickey é sugado para dentro do mundo mágico do quadro, onde encontra Oswald, que se tornou amargo e ressentido com o sucesso do rato, e Mad Doctor, que desenvolveu os robôs responsáveis por controlar Wasteland.

Agora Mickey só poderá deixar Wasteland se salvar o mundo mágico. Suas armas para trazer cores novamente ao lugar são o pincel e a tinta. E tem também a ajuda de um thinner, para apagar as anomalias criadas por Blot e Mad Doctor. Para complicar ainda mais, Mickey precisa suar a camisa para ganhar a confiança dos personagens esquecidos pela Disney.

Os produtores se esforçaram para dar ao novo game do camundongo uma visão um pouco mais adulta do que a habitual. Nas artworks do jogo, encontramos cenários e personagens muito sombrios. O próprio enredo, que envolve inveja, vingança e tristeza, mais parece ter sido escrito para um RPG da Square Enix do que para um título da Disney.



Mas tudo isso é proposital, pois o game em si é uma grande tentativa da Disney de repaginar o seu mais famoso mascote. Para uma mudança tão drástica, a Disney se uniu ao estúdio Junction Point, que ainda não produziu nenhum game conhecido. O estúdio foi criado em 2005 por Warren Spector, que anos atrás trabalhou na série Deus Ex, FPS que fez muito sucesso ao redor do mundo.

Spector jamais trabalhou em um game licenciado, como o do Mickey, e é justamente por isso que aceitou o desafio. Durante a exibição de Epic Mickey na E3 2010, o pessoal da Junction Point disse que era “realmente muito gratificante e empolgante o desafio de fazer uma releitura do maior símbolo da Disney.”

Foi na E3 2010 que os principais detalhes de Epic Mickey foram revelados. O primeiro e mais importante é que o game não pode ser taxado de RPG, adventure ou de plataforma, pois há elementos destes três gêneros mesclados no pacote. A que mais se sobressai é a de Action-RPG, principalmente quando vemos Mickey usando o pincel para apagar objetos no cenário. Ao fazer isso, é possível criar novos caminhos ou mesmo descobrir outras formas de sair de um lugar X para ir num local Y.

Para fazer uso da tinta e do thinner, o jogador precisa apontar o local ou objeto desejado e sacudir o Wii Mote como se estivesse rabiscando alguma coisa. Com o movimento, é possível dar cabo de inimigos.



Olhos mais atentos perceberão logo que Epic Mickey bebe da fonte de Zelda e o próprio Spector já admitiu que a saga de Link é sua maior inspiração.

Um fato divertido nisto é que quanto mais danos Mickey causar em Wasteland, apagando as coisas que não deveria, mais ele vai ganhando o status de brigão. Mas se fizer as coisas da forma correta, ele ganha a simpatia de todos, bem como novos acessórios e o título de “salvador da pátria”.

Quanto aos ambientes de Epic Mickey, basta dizer que os cenários são baseados nos mundos de Disney. Por exemplo, há uma localidade chamada Adventure Land, que traz os personagens de Peter Pan, como o Mr. Smee, o ajudante do Capitão Gancho. Há ainda um ambiente chamado Travel Zone, inspirado em Steamboat Willie, onde tudo fica em preto-e-branco e a jogabilidade passa a ser em 2D. É em Travel Zone que são feitas as transições entre os cenários que compõem a Wasteland.

Os gráficos do jogo, principalmente os de Mickey, remetem aos antigos desenhos da década de 1930/40. O objetivo era dar uma nova cara ao astro da Disney, sem, contudo, distorcê-lo. Os produtores fizeram isso de forma a passar a ideia de que Mickey não pertence ao mundo dos “esquecidos”.
O saldo de tanta preocupação com o ambiente e com os personagens é que Epic Mickey é até agora um dos games mais bonitos já lançados para Wii. E é sempre um grande prazer ver que uma empresa “third party” esteja se esforçando de verdade para fazer um bom game para o Wii, além da própria Nintendo. Também pudera, afinal, Epic Mickey é a primeira aparição do personagem nesta geração de videogames.



O game segue exclusivo do Wii por causa do sensor de movimentos do console. A Disney chegou a cogitar o lançamento para Kinect e Move, mas abandonou a ideia porque eles atrasariam o projeto. Além disso, os produtores acreditam que lançar Mickey numa plataforma dominada por Kratos ou Master Chief poderia não ser saudável para as vendas.

A expectativa para Epic Mickey é bem alta, afinal, o gameplay impressionou. Ele é, de longe, o mais ambicioso projeto atualmente para o Wii que não é feito diretamente pela Nintendo.

Alguns boatos já surgem na rede dizendo que Epic pode se tornar uma trilogia. E se o primeiro Epic Mickey for tão épico assim, não há dúvidas de que isso deva acontecer mesmo.


Os personagens:




 Mickey: É o herói da aventura e símbolo máximo da Disney em todo o mundo. Cometeu um erro no quadro de Yen Sid e agora tem derecolorir o mundo de Wasteland.







Oswald: Era para o coelho ser um grande astro, se Walt Disney não o tivesse jogado para escanteio. Por isso, ele não esconde o rancor com o sucesso do Mickey.












Gremlins: Não os confunda com aqueles monstrengos bagunceiros que se multiplicavam. Estes aqui são uns carinhas bem engraçados que se parecem com duendes. No game, são do bem e poderão ajudar Mickey na aventura.













Mad Doctor: Ele já era pirado nos desenhos da década de 1930, mas ficou com um parafuso a menos após um bom tempo em Wasteland. É ele quem cria os robôs problemáticos.








Phantom Blot: O Mancha Negra foi o grande vilão dos desenhos do Mickey por volta de 1939. Em Epic Mickey, alopra com todo mundo e zoa o colorido mundo de Wasteland..








Para terminar, fique com a primeira parte da fantástica introdução do game:



Fonte: EGW

Leonardo Soler

Retrogamer nas horas vagas. Mantém o Game Genius desde 2010 onde a internet ainda não tinha nem luz eletrica. Fã dos Power Rangers (até o PR no espaço). E é complicado o que é melhor, Final Fantasy VI ou Chrono Trigger. Google